Sorria!

Alvaro Seixas, Bruno Drolshagen, Daniel Lannes, Geraldo Marcolini, Gustavo Speridião, Juia Debasse, Mayla Goerisch, Pedro Meyer, Rafael Alonso. Rodrigo Martins e Tatiana Chaloub.

Sorria!

Artistas: Alvaro Seixas, Bruno Drolshagen, Daniel Lannes, Geraldo Marcolini, Gustavo Speridião, Juia Debasse, Mayla Goerisch, Pedro Meyer, Rafael Alonso, Rodrigo Martins e Tatiana Chaloub.

Curadoria: Fernanda Lopes

Datas: 03 de junho a 02 de julho 2017

Local: Jacaranda

Exposição

Sorria!

Cuidado. Talvez você não encontre aqui – nesta exposição ou neste texto – o que espera. Sorria! é uma exposição coletiva, reunindo artistas que trabalham com pintura no Rio de Janeiro. Alvaro Seixas, Bruno Drolshagen, Daniel Lannes, Geraldo Marcolini, Gustavo Speridião, Juia Debasse, Mayla Goerisch, Pedro Meyer, Rafael Alonso. Rodrigo Martins e Tatiana Chaloub apresentam aqui parte de suas produções mais recentes, muitas obras ainda inéditas, em um panorama de diferentes caminhos e possibilidades sobre o pensamento e a prática ada pintura e da construção da imagem. Em comum, esses 11 artistas provocam com seus trabalhos certa sensação de desconforto. E, acompanhada dela, um sorriso amarelo, evidenciando que o que se vê é diferente do que se imaginava.

Já em seu início mais remoto, falar em historia da arte significava falar na verdade na historia da pintura. Por séculos, o espaço bidimensional foi o lugar das grandes discussões da arte; a tela foi a arena dos grandes embates da arte. Foi na tela que se construiu inicialmente as convenções do que era arte – relacionada ao belo tema, às belas formas, às belas cores, à bela execução – e, foi nela depois que essas convenções começaram a ser desconstruídas, abrindo caminho para outras possibilidades de arte.

Há algumas décadas, no entanto, esse espaço passou a ter frequentemente sua atualidade questionada, em meio a tantas outras possibilidades de construir e lidar com imagens, sendo considerado acadêmico, conservador, tradicional, limitado, insuficiente. Talvez esse não seja um problema que se restrinja ao que acontece dentro da tela. Talvez essa seja uma discussão que devesse ganhar contornos mais amplos, incluindo o que acontece do lado de fora do quadro, ainda com a tela em branco (levando em conta a postura do artista), e depois, quando ganha o espaço publico de uma exposição (levando em conta a postura do publico).

Os trabalhos reunidos nesta exposição lidam com essas questões, em pinturas (com obras que englobam também a redefinição dos limites tradicionais do próprio suporte), objetos e vídeo. Essas são obras que lidam com sobras, pedaços, remendos, desconfortos, defeitos, frustrações, convenções, restos, fracassos, deslocamentos, versões, inadequações. Não só na imagem, mas também nos procedimentos de construção. Há aqui capítulos de nossa historia em versões não-oficiais; normas de comportamento e convenções colocados à mostra, que se mostram fracassadas ou insuficientes; materiais e procedimentos precários, descartados. Nada é confortável ou conformado, nos fazendo lembrar que sorrir pode ser sinal de contentamento, mas também desconforto, ironia, desprezo.

Sorrimos quando algo nos agrada, quando nos sentimos confortáveis, mas também quando não entendemos, não gostamos ou não achamos graça alguma. Sorrimos por ironia, quando não sabemos o que dizer (ou sabemos, mas não podemos), ou para obedecer convenções. Sorrimos quando nos reconhecemos, mas não devemos dizer. Sorrimos quando nos sentimos desconfortáveis. Sorrimos quando não queremos nos comprometer. Sorrimos por educação. Sorrimos por comodidade ou quando não queremos começar uma discussão.
Sorria! Essa é uma exposição de pintura.