Projeto Piauí

Alexandre Canonico, Bruno Dunley, Isabel Diegues, Luis Barbieri, Marina Rheingantz, Mauro Restiffe e Paloma Bosquê

Projeto Piauí

Artistas: Alexandre Canonico, Bruno Dunley, Isabel Diegues, Luis Barbieri, Marina Rheingantz,
Mauro Restiffe e Paloma Bosquê

Curadoria: Isabel Diegues

Datas: 27 de novembro 2016 a 22 de janeiro 2017

Local: Jacarandá

Exposição

Projeto Piauí

Em 2014, um grupo de artistas começa a planejar uma viagem de imersão. Guiados pela vontade de fazer uma expedição de observação ao interior do Brasil, escolhem o Piauí, desconhecido para todos. Para além das representações rupestres das serras da Capivara e das Confusões, cruzar o Sertão do Piauí foi a ideia que seduziu o grupo, que partiu do interior do estado até desembocar no mar, no Delta do Parnaíba, em uma jornada de doze dias, em junho de 2015. As travessias da viagem e a experiência de convívio foram intensas, e dessa vivência os artistas destacam o silêncio da região inóspita, a observação do céu, a riqueza da vegetação da caatinga, a luz do sertão, as imensidões planas, as formações rochosas, a natureza árida que um dia foi abundante de rios, além do tempo alargado que as pinturas rupestres evidenciam.

Nessa situação de suspensão, os artistas experimentaram a oposição entre natureza e cultura em um contexto e geografia totalmente distintos de suas realidades. Os desdobramentos e impressões dessa experiência foram, então, divididos com o público na exposição Projeto Piauí, realizada no espaço Pivô, em São Paulo, entre 14 de maio e 02 de julho de 2016. Na mostra, cada artista transmite à sua maneira os vestígios que essa jornada deixou em suas práticas pessoais. Alguns trabalhos foram realizados durante a viagem, usando ou não os materiais encontrados no percurso, e outros feitos já de volta ao ambiente de cada um. E a experiência, tanto da travessia do sertão brasileiros quanto da pesquisa das pinturas rupestres assume caminhos diversos como fotografias, esculturas, desenhos, pinturas, texto e áudio.

Estas impressões traduzidas da viagem são resultado da desautomatização do olhar de cada viajante e os trabalhos apresentados são fruto da disposição que tiveram para o encontro, antes de qualquer pretensão discursiva. Assim, a mostra divide com os visitantes esse exercício de convívio, deslocamento e contemplação a que esse grupo se submeteu, não só durante a viagem, ou em sua preparação, mas também na concepção e montagem da apresentação pública de seu processo.

Ao trazer a exposição para o Rio de Janeiro, para o espaço Jacaranda, o grupo propõe expandir a experiência da viagem a outros territórios, atualizando diversos aspectos do projeto, impulsionando, desse modo, possíveis novas viagens por tantos outros caminhos do Brasil.