Interfluxos: Colapso como perspectiva

Anita Sobar, Denise Adams, Diana Kolker, Não Fui Eu, Karen Aquini, Lívia Moura

Datas: 02/06 – 28/06

Artistas: Anita Sobar, Denise Adams, Diana Kolker, Não Fui Eu, Karen Aquini, Lívia Moura

Organização: Luiz Guilherme Vergara

Local: Jacarandá

Exposição

Interfluxos: Colapso como Perspectiva

Reúnem-se aqui ressonâncias artísticas de uma época que se faz por “desfazimentos e destempos”, “tempos refeitos” por interfluxos e contra-fluxos, formas e desformas, ruídos e silêncio, ciclones e afetos, atingindo todos os imaginários sociais, políticos, econômicos e, principalmente espirituais. Os artistas são habitantes sujeitos desta condição contemporânea, porem se distinguem por não buscarem zonas de conforto, mas sim de contato com sintomas e intuições de colapsos como [email protected] de futuros, co-adjuvantes de um jogo de errâncias com a humanidade como demi-urgentes das mudanças de sentidos de mundo em trânsito. Demi-urgem em micro-utopias denunciando e atravessando fissuras abertas nas distorções do real pelas fragmentações endêmicas do capitalismo doentio de sintomas locais-globais. Interfluem o re-existir poético como [email protected] de energias vitais para potências éticas de afetos conduzidas por intuições palpáveis de novas metáforas, transportes para conexões improváveis de “devir ciclone”. São artistas [email protected] do acontecer solidário para a inauguração de espaços vazios de acolhimentos de futuros imediatos, do estado de invenção coletivo que urge do ser-estar de amplitude elíptica entre nós-outros, da transfiguração em esboço do comum em comunidade.

Anita Sobar irradia indagações – todo artista experimental assume seu devir como um estado de esboço? A clandestinidade é assumida como estratégia de ser que pulsa por toda parte espalhando enunciações pedestres, procura-se uma utopia. O que acontece na sua ausência? Denise Adams explora na natureza de três poeiras, três silêncios que deram ressonâncias a três Ms das tragédias nacionais (Mariana(2015), Marielle (2018) e Mareuza (2018)). O que significa expor os amargos Desfazimentos da matéria lúcida humana? O que se desvela enquanto se torna encoberto como um território de cinzas e silêncio? A revelação de uma revolução silenciosa. O Colapso é Perspectiva. Diana Kolker alerta – indaga – o que significa estar em ambientes de ar condicionado? que estruturas precisam ruir para dar lugar a emergência de novas formas de ser? o contágio dos afetos é o mais útil princípio de conservação do ser. Para tanto urge cartografar a própria vida por zonas de mudanças climáticas favoráveis para a formação de microgeografias de afetos, de encontros alegres (geradores de potencia de agir) e enfrentamentos de ciclones. Não Fui Eu. Age na epiderme da Cidade como Verbo, como corpo de múltiplas consciências, subvertendo pela desobediência civil a invisibilidade social dos gritos surdos que habitam as calçadas do Rio de Janeiro. A invenção de si como artista acompanha as inquietações caladas, anônimas, como instrumento de potência política se espalhando como um mantra de inflexão entre negação e afirmação, de “repressão e cooptação” pública. Karen Aquini invoca um pragmatismo imaterial – espiritual para provocar e ocupar com práticas de novos instituintes imaginários a inauguração de territórios de convivialidade. O lugar da arte é de instauração de Contra-fluxos de ressurgências de Utopias Inacabadas. Lívia Moura , artista em trânsito por diferentes transtemporalidades, resgata arqueologias de futuros, formando uma rede de colaboração – VAV (vendo ações virtuosas) para uma ética tripartida de alfabetização emocional; “desconstrução de imaginários patriarcais” dando re-significação à imagem simbólica da Lillith ao VAV (Vendo Ações Virtuosas) e economia da energia vital.

Interfluem e demi-urgem proposições éticas para atravessamentos dos colapsos contemporâneos como horizontes de imprevisibilidade humana onde o sentido da arte se faz presente-urgente. Sim, comungam uma posição clandestina, coletiva e solidária de ser artista.

Agradecimentos especiais ao Espaço Jacaranda, a rede de colaborações com o Premio Pipa, Galeria dotART, Museu de Arte Contemporânea e Espaço Vazio.