Esqueleto: Uma História do Rio

Carlos Vergara, Edu Monteiro, Guga Ferraz, Gustavo Speridião, Hélio Oiticica, João Paulo Racy, Luiza Baldan, Marcos Chaves, Raïssa de Góes, Raul Mourão, Rona e Thaís Rocha.

Datas: 13/04 – 11/05/2019

Artistas: Carlos Vergara, Edu Monteiro, Guga Ferraz, Gustavo Speridião, Hélio Oiticica, João Paulo Racy, Luiza Baldan, Marcos Chaves, Raïssa de Góes, Raul Mourão, Rona e Thaís Rocha

Curadoria: Fred Coelho e Maurício Barros de Castro

Local: Jacaranda – Galeria Aymoré

Exposição Jacaranda

Esqueleto: Uma História do Rio

Cidades são feitas de camadas históricas acumuladas através do tempo e do espaço. São contextos urbanos em que escombros e tradições necessariamente integram-se a projetos de futuros. No Rio de Janeiro, porém, boa parte do passado tornou-se uma espécie de fantasma que vaga a esmo pelo presente. A memória popular, seus laços imateriais e suas arquiteturas, raramente formam um porvir oficial. Na voracidade de um progresso destrutivo, construções apressadas atravessaram morros e aterraram mares. Casas e vidas foram removidas, derrubadas ou simplesmente abandonadas em prol de um novo que, rapidamente, vira ruína.

 

Nessa trilha feita de tijolos, cimento, braços, burocracia e bala, há o vazio agudo dos corpos que ficaram pelo caminho. Vidas apagadas que ainda gritam por dentre as frestas do solo e dos arquivos. A favela do Esqueleto, morada de Cara de Cavalo, espaço em que o Hélio Oiticica teve amigos e experiências, foi ocupada ao longo dos anos de 1950 ao redor da edificação inacabada e abandonada de um hospital do INPS. Seu crescimento transformou a paisagem ao lado do Maracanã e em frente ao morro da Mangueira. Durante o governo de Carlos Lacerda (1960-1965), ela foi removida sumariamente. Anos depois, se tornou o atual local da UERJ.

 

A partir do nome e da história de apagamento da favela, exibimos em diferentes formatos e poéticas, a cidade como um imenso esqueleto. Seus espectros materiais e imateriais aqui registrados são rastros que ainda pulsam nos sentidos do presente. Seus desvãos, seus abandonos de corpos em opressões atemporais e suas construções devoradoras sustentam esse conjunto de paisagens riscadas nos ossos e nas carnes de seus moradores. A cidade fantasma e, ao mesmo tempo, os fantasmas da cidade.

 

Se todo documento de cultura é um documento de barbárie, a violência contra morros, bairros e casas no Rio de Janeiro é o registro fúnebre de um extermínio programado. Viver esta cidade é assumir um corpo em risco permanente. Como sussurros em meio ao caos, arte, política e memória são formas de não esquecermos as vozes soprando em coro: somos o esqueleto do esqueleto do esqueleto do esqueleto…

Maurício Barros de Castro e Fred Coelho

Abril de 2019.