Título: “Rio Setecentista”
Ano: 2013
Técnica: Óleo e Acrílica sobre tela.
Tamanho: 310 x 200 cm
Acervo Instituto PIPA

Arjan Martins

Rio Setecentista

A tela de 3 metros de altura por 2 de largura de Arjan Martins, nos indica um gesto físico significativo presente no ato de pintar em grandes superfícies, e na maneira que ele representa um momento histórico podemos observar um gesto intelectual significativo de revelar outras perspectivas históricas. Essas são algumas das reflexões possíveis ao se observar o quadro “Rio Setecentista” adquirido pelo Instituto PIPA e exposto num dos espaços de convivência da Villa Aymoré. 

A obra retrata um período histórico específico da cidade do Rio de Janeiro, o século XVIII, que é quando ela se torna capital do Vice-Reino do Brasil, porém esse não é o único deslocamento presente na tela. A partir dos símbolos que remetem a mapas e viagens somos levados a pensar no trajeto África e América, que são os continentes representados na tela, com um destaque ao continente africano que se encontra em uma escala maior do que o americano. No Rio setecentista, a relação entres esses dois territórios fala não só uma história de tráfico de pessoas escravizadas, mas de dominação colonial sobre ambos. Uma pista para pensarmos a obra é perguntar: qual história invertida, assim como a caravela e coroa, o artista está tentando nos contar? 

Arjan Martins é um artista plástico carioca nascido em 1960. Foi vencedor do Prêmio PIPA 2018 e do PIPA Voto Popular 2018 e já havia sido indicado a premiação em 2010, 2011, 2014, 2015, 2016 e 2017. Sua formação em arte é diversa desde os 90 que é quando também começa a expor seus trabalhos. Em 2005 foi vencedor do Prêmio Projéteis de Arte Contemporânea, FUNARTE, Palácio Gustavo Capanema em 2005; em 2007 foi Contemplado com Bolsa Viagem do Instituto Goethe, Alemanha e visita a Documenta XVII em Kassel, Minster Skulptur Projects, Berlin, Alemanha; e em 2010 é convidado a integrar o projeto The Drawing Center’s Viewing Program em Nova Iorque, Estados Unidos.

 

Texto: Lorena Brito

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